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O que é isto?
Registro

 

Em 1986, no auge de meus seis anos, tive minha ultima festa de aniversário. Festa mesmo, com bolo, tia-de-longe e tudo, foi a ultima. Me lembro que aquela foi uma época difícil pra mim. Era uma idade complicada, seis anos. Mas qual não é?!

 

Aos seis anos, tudo o que eu queria era ter nove! Todos os meus problemas estariam resolvidos para sempre. Ia poder entrar em qualquer brinquedo no PlayCenter, escolher minha própria comida, ia ser tudo festa. Quando finalmente fiz nove anos, tudo o que queria era ter treze. Além dos inconvenientes inerentes à idade, segundo a opinião de terceiros, estava muito velho para ter uma festa de aniversário. Aos treze, queria ter dezoito. Carta de motorista, clubes, embriagues... os prazeres da vida mundana, agora visíveis (e distantes!) na minha vida, me excitavam.

 

A vida antes dos dezoito anos, todo aquele tempo pra crescer, se arrastou por uma verdadeira eternidade. Uma vida longa e cheia de sonhos e desejos... a vida pós-dezoito e curta e cheia de contas. A impressão era a de que os anos passavam de par em par.  Cada aniversário era um ano a menos. Tão pouco tempo, e ainda tinha que gastar um terço dele dedicando minha capacidade e subserviência a alguém que iria usa-las para ficar ainda mais rico. Estava tão encanado com isso de tempo que passava quase todo o meu segunto-terço de tempo livre pensando nisso tudo. E sonhava com isso tudo, enquanto gastava meu último-terço...

 

Hoje em dia já não sou tão neurótico. Desencanei dessa de tempo. Aliás, eu nem sequer  acredito que o tempo exista de verdade (mas isso é outra história, que pretendo contar quando tiver um bom argumento!). Penso na data de meu aniversário como um monumento, um marco inaugural, data de honrarias e homenagens à existência mais fantástica e mais importante de minha vida. E é sempre uma chance nova de provar que festas com tequila e amigos tem um impacto muito maior em sua vida (e em sua saúde!) do que festas com tias gordas e brinquedos repetidos!

 

...parabéns Mimmy!

Indolescência

 

Homens-anjo

transeuntes alados, confusos,

sobrevoam as esquinas da madrugada

barganhando com sua inocência

por sonhos baratos

 

Após algum tempo,

embriagados por vontade insana,

desesperados, de mãos vazias,

abrem mão de sua eternidade hipócrita.

Trocam as próprias asas

por migalhas de um aproveitados qualquer.

 

Quanto a mim?

Chorar, rir, sofrer, cair, me erguer,

esses são meus sonhos baratos.

Minhas asas, a essa altura

Já são artigo de brechó,

E minhas migalhas,

esticada sobre um balcão qualquer,

enquanto procuro nos bolsos,

inutilmente, uma nota de cem...

A vida é minha maior heroína.

Um dia ela ainda me salva.

Um dia ela ainda me mata.

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