Ontem um conhecido meu me parou na rua:
- E o blog?! Não ai escrever do Lula não?!
Bom, fiquei surpreso. Pelo jeito este blog é mais lido do que eu pensava. Quanto ao Lula, não tinha muito o que dizer. Fui sincero: dessa vez não tive nada a ver com isso!
- Votô nulo?! – se espantou o outro.
Como já disse o namorado de uma desconhecida minha, não sou obrigado a escolher o “menos pior”. O voto nulo é sim uma opção, principalmente quando as demais opções não alcançarem as nossas expectativas. Há quem diga que desperdicei meu “direito”. Pois digo que nunca fiz melhor uso dele. E nunca participei da democracia de maneira mais ampla e livre.
- É, mas “ano passado” era só bandeirinha, brochinho, Lulali, Lulalá... e agora nada!? – entendam “ano passado” por “eleições de 2002” – que é que mudou de lá pra cá?!
Eu mudei. Deixei de acreditar. O Brasil tem muitas tribos e, consequentemente, muitas crenças: tem gente que acredita nos 50 reais do Bolsa-Família. Tem gente que acredita em marqueteiro de campanha. Tem os que acreditam na TV, no coronel, na própria sorte... eu acreditava na esquerda. Achava que a revolução era possível, que utopia era só falta de vontade. Usei mesmo broche, bandeira, discutia com as pessoas na rua. E não me arrependo, não! Acho muito importante abraçar uma causa, acreditar, brigar... O que ninguém podia imaginar é que a briga já estava perdida muito antes de começar.
Aquela eleição nós ganhamos. Mas com o passar dos dias, a gana pela revolução foi fraquejando. Nada acontecia. Até que um dia, um tal Arnaldo Jabor, cineastazinho de idéias truncadas e fala eloqüente, disse que a esquerda tinha morrido. E a direita também. E tudo fez sentido. Minha revolução teria que voltar pro armário.
Quando Evo Morales “rendeu” a Petrobrás, tomando de nós, brasileiros, milhões em investimentos e tecnologia, como tantos outros brasileiros, eu fiquei indignado. Revoltado. Alguém falava em invadir e eu já ia concordando.... Mas era só inveja. Inveja do povo que tinha um cara pra tomar de volta, com pulso patriota, as riquezas e o orgulho de sua nação.
E respondendo aqui a pergunta de meu amigo, do Lula mesmo não tenho o que escrever. Se for um bom presidente, legal. Se não for, não é minha culpa.
Robinsom
Sobras se espicham pelo muro. A brisa é mansa e fresca. A noite vai longe, arrastada pela luz pálida da lua. De quando em quando um carro sobe a rua e ilumina a fachada de nossa casa. Só uns instantes. Logo a noite abraça tudo outra vez, a rua, as fachadas, as árvores, e o céu volta a salpicar estrelas em meus olhos.