Curso natural das coisas
Acredito na natureza. Não apenas, ou exatamente, na natureza que conhecemos, externa, a dita natureza ecológica, mas na natureza interna, que rege todas as coisas. Natureza que guia tudo pela e para a evolução. A natureza que vemos e tocamos, a externa, é apenas um reflexo da natureza evolutiva de todas as coisas.
É estranho pensar que a natureza tenha criado um ser como o homem. Uma criatura que supera a própria natureza, mudando o curso das coisas para estender sua existência além dos limites e dos planos da natureza.
Penso que todo tipo de ser que vive ou viveu na terra já foi, em seu tempo, o ser mais evoluído de todos. Toda criatura é uma espécie de experiência evolutiva, que tem seu ápice, mas que acaba sendo substituída por um exemplar que está um passo à frente na escala evolutiva. Há sempre apenas uma criatura no topo, o resto se tornou ultrapassado e acaba servindo de alimento. Mas a natureza sempre acaba aparecendo com um ser mais evoluído ainda...
Penso também que nós, seres humanos, ao contrário do que pensamos, não somos o limite da evolução, nem o ideal da tal natureza, mas sim, que somos seu pior erro. Somos evoluídos o suficiente para trazer resultados muito satisfatórios como uma experiência, mas não somos evoluídos o suficiente para coexistir pacificamente com outros seres da natureza... nem com nós mesmos!
Mas nesse ponto a natureza perdeu as rédeas. É um passo arriscado demais dar a nós um cérebro e uma consciência, ambos bastante eficientes. Agora estamos no topo e temos cérebro e consciência... e vamos destruir qualquer coisa que tente nos superar... mesmo que seja a própria natureza...
Pensamentos e mais pensamentos...
Andava por uma rua enorme, bem larga e mal iluminada, com um poste que teimava em sempre apagar enquanto passava por ele. Gosto de andar enquanto penso. E penso que são poucos os que pensam como eu. Não falo de idéias ou bandeiras. Falo de jeitos de pensar. Sou desorganizado, me deixo levar por pensamentos, verdadeiras bolas de neve, cada vez maiores e mais loucos. Quantas vezes parei, sob um poste que não sabia que estava lá, e sorri pra mim mesmo, pensando no pensamento absurdo que havia acabado de pensar...
Bom, o fato é que andava por uma rua enorme e mal iluminada... que não quer dizer nada! Nunca reparo nos postes mesmo. Só naquele que sempre apaga. Parece que diz pros outros “olha, aí vem o bocó de boca aberta olhando pro nada... olha como vou pegar ele de novo”. E pega mesmo. Esse poste é um tapa na cara, sempre me assusto. Mas nunca me demoro no susto “...poste filho da puta” e logo estou perdido em mim mesmo outra vez...
Mas o fato, de novo, é que andava por uma rua... que pensando bem também não faz a menor diferença! Ando por outras dez ruas, e ainda duas avenidas, uma praça, passo pela prefeitura, pela delegacia, um mercadinho (que já não é mais tão “inho” assim), por um bando de postes e outro bando de gente, gente sem rosto, que agente não conhece e que vive se desculpando aos esbarrões, tudo isso até chegar numa outra praça, maior, com igreja e sinos e uma rádio horrível que me espanta todos os pensamentos...
Essa é a história de um cara. E esse cara, independente dos postes e ruas e pessoas, amou uma garota com tudo o pôde. Mas era um cara egoísta e orgulhoso (por isso era só um cara e não um homem!!!), e cegado por essas “qualidades” todas não soube demonstrar esse amor a essa garota (que era só uma garota, e não uma mulher, por que... bom depois eu explico!!!). Na verdade essa é a história da transformação de um cara, esse tal cara aí, em um homem. E a história começa assim:
Andava por uma rua enorme, bem larga e mal iluminada, com um poste que teimava sempre em apagar enquanto passava por ele. Noite de inverno, andava encolhidinho, as mãos nos bolsos, pensando feito louco em uma briga de bar pela qual havia passado a pouco, e no modo como entrei na briga para apartar, e como tive que usar um taco de bilhar e bater em dez nativos de botequim pra poder sair da bodega sem um arranhão sequer... até um poste estúpido me trazer de volta à realidade, onde meus sessenta e poucos quilos não servem nem mesmo para matar baratas, quem dirá para brigas de bar...
Discurso filosófico!!!
O que é a vida?
Depende... é uma sucessão de acontecimentos e sentimentos e pessoas, um monte de coisas às quais só você pode dar um sentido. Alguém disse que a vida é uma peça de teatro, no palco do mundo, e nós somos meros atores, entrando e saindo de cena a todo momento... então cabe apenas a nós representarmos nosso papel o melhor que pudermos. A vida é uma coisa que apenas nós mesmos podemos fazer por nós... ninguém pode viver em nosso lugar! A morte é uma conseqüência inevitável da vida, e que também ninguém pode fazer por ninguém... A vida é difícil, triste às vezes, mas ainda assim é a coisa mais divertida que conheço! Não há passado, pois é o que deixou de existir... não há futuro, pois é o que ainda não aconteceu... não há presente, pois o presente e a eterna transformação do futuro em passado... há apenas a existência, eterna... a vida é uma existência eterna, pois a cada “instante” a vida acontece, e está em seu ápice.
O que é o erro?
É a chance de se desculpar!
A maneira mais rápida de se chegar ao acerto.
Um aprendizado.
Às vezes é a ínfima separação entre o sucesso e o fracasso... às vezes é só um erro.